sexta-feira, agosto 07, 2009

Cyborg




Não sou muito de postar coisas sérias, não porque não goste delas ou porque me incomodem, mas normalmente encaro este lugar de encontro como algo de mais trivial e leve. Afirmo aqui que nada tenho contra o trivial e o leve, mas a cultura e os bons raciocínios prefiro lê-los nos blogues de quem sabe. No meu blog, costumo ser pouco reflexivo e mais de impulsos.

Mesmo assim, hoje não posso mesmo deixar de partilhar, com quem passa por aqui, um livro que encontrei a semana passada em Madrid e que me condiciona o pensamento. Tenho de dizer que comprei o livro por questões profissionais e também porque o tema é um daqueles que me interessa desde sempre. O livro em questão "Cyborg" e cujo autor espanhol é Igor Sádaba é uma obra de uma curiosidade exemplar, porque consegue abordar as questões de diferentes pontos de vista e oferece uma panorâmica fabulosa à volta do assunto.
Hoje em dia utilizamos computadores de todo o tipo e de uma maneira inimaginável só até alguns anos atrás. De qualquer forma e espécie, os computadores são utilizados como ferramentas de facilitação das tarefas mais repetitivas mas também das que requerem especiais cuidados e a elaboração de grande quantidade de informação. Os computadores utilizados para inúmeras tarefas, são um auxílio que já moldou o nosso modo de pensar e de actuar, transformando-se rapidamente num prolongamento do nosso próprio corpo.
Mas o que se passa no momento em que estes objectos deixam de ser um prolongamento do nosso corpo para passar a fazer parte dele? Sim, porque o homem biónico já não é só um filme de ficção, mas neste caso a realidade já ultrapassa largamente o imaginário. A implementação, por exemplo, de câmaras oculares que permitam a devolução da visão à pessoas que já não viam há muito tempo é uma realidade de entre muitas que já fazem parte de muitas rotinas clínicas. A integração de elementos mecânicos em seres humanos já é uma realidade que pode levantar qualquer tipo de discussão e de pensamento.
Como Igor Sádaba diz, sempre fomos habituados a separar a matéria animada e orgânica daquela inanimada dos objectos, ficando pouco claro onde começa o humano e onde acaba a máquina, onde começa o natural e onde acaba o artificial.
Resumido aqui da forma mais simplista, o livro em questão propõe-se aqui como uma ferramenta de pensamento que nos obriga a reflectir sobre quem somos, por onde queremos ir e de que forma queremos faze-lo.
Aconselho o livro porque é excelente. Não consigo deixar de ler.


3 comentários:

Catwoman disse...

Os limites entre o corpo e os elementos exteriores sempre me fascinaram...principalmente a "troca" de características que ocorre entre um e outro nessa junção. A forma como elementos mecânicos se podem ser quase orgánicos e como o corpo pode parecer artficial. Existem vários livros e filmes sobre o tema, uns mais científicos, outros menos. Mas adoro os filmes do Cronenberg. A junção do homem e da máquina, a mutação do corpo, os limtes do ser humano, o que é que nos define e altera, tudo está presente nos filmes dele. Do Crash ao Videodrome, passando pelo Existenz e até A Mosca. Se quiser completar o lado cientifico do livro com algo mais "lúdico" são boas escolhas ;)

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Já ha tanto ser mecanizado que nao se sabe reinventar e deixar a pele de cobra para outra vida... Mas entendo perfeitamente a questão que levantas.

Abraço

The White Scratcher disse...

Verdade Catwoman,,, este tema oferece isso e muito mais, por esta razão me interessa. O Cronenberg é sem dúvida um excellente realizador com a capacidade de nos fazer pensar muito para além das imágens.


,,,, Daniel, não sei se não será a isso também que deveriamos chamar de desenvolvimento dos tempos, ou mais vulgarmente progresso,,, mas estas questões sempre existiram. O espirito de sobrevivência, a curiosidade e a lei do mínimo esforço são algumas dar razões pelas quais falamos tanto disso hoje em dia. Não penso muito no que fazer,,, mas mais nos limites e nas questões que isso levanta.